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Da Áustria

Para início do ano e para memória futura ou manobra arriscada, a notícia de uma aliança insólita para um governo da União Europa. Foi na Áustria de Mozart, Schubert, Freud e Zeilinger, o cientista do teletransporte, que pintou um clima entre um partido conservador, nacionalista e xenófobo e um partido verde encostado à esquerda e pouco dado a restrições fronteiriças. Do improvável romance, vai mesmo sair casamento (leia-se governo) que se espera sólido e sem as diferenças inconciliáveis que costumam ditar o fim dos enlaces em Hollywood. A Europa, sem saber o que fazer aos movimentos populistas que vão entrando sem vergonha e à velocidade da luz pelos seus parlamentos, assiste embevecida à relação, na esperança que vire tendência.

Certinho é que a geringonça austríaca vai dar trabalho e muitas dores de cabeça. As diferenças entre os dois partidos são demasiado grandes, exigindo negociações linha a linha na definição de prioridades e de políticas: imigração ou clima, segurança ou aquecimento global, menos impostos para a indústria ou mais impostos verdes, a lista é colossal e a democracia, como o amor, é lixada e uma fonte inesgotável de cedências. Ainda assim, da Áustria, de onde vem este vento, espera-se bom casamento. E que deixe descendência ou, no mínimo, inspiração.


Marta Romão, diretora-geral BDC - Empower to Lead

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