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Da discussão

Eu ainda sou do tempo – do longínquo início de 2019 – em que o teletrabalho era uma ousadia própria de uma startup ou uma solução de recurso para um trabalhador de pé engessado. Isto em Portugal, claro, onde as empresas (leia-se empregadores) sempre gostaram de ter os seus trabalhadores à mão de semear, obcecados com a ideia de que estes usariam horas de expediente para uma ida ao Pingo Doce. A questão é que a pandemia que nos trancou em casa deixou-nos sem alternativa e reduziu a meia dúzia de meses uma mudança de paradigma que sem ela demoraria muitos anos a acontecer.


A tecnologia deu uma mão à viragem com a proliferação de soluções de reuniões à distância e o mundo do trabalho serenou. Tornou-se possível cumprir obrigações profissionais em formato casual homewear e com o filho ao colo, com a vantagem de permitir às empresas reduzir uma imensidão de custos. Tanto assim é que as maiores andam a adiar o que podem o regresso dos trabalhadores ao regime presencial, o que bate de frente com o pouco habitual consenso das organizações patronais e sindicais que aplaudiram de pé o fim do teletrabalho obrigatório. A discussão ainda não passou do adro e, no final do dia, todos terão a sua razão mas nenhum a esperteza do Zuckerbeg, que já tratou de, através de uma aplicação e de uns óculos de realidade virtual, fazer regressar os avatares de outros tempos que nos irão substituir no escritório e nas reuniões. Pois que venham, estou preparada para a batalha de galáxias. martaXT não vencerá Marta Romão.




Marta Romão, diretora-geral BDC - Empower to Lead

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