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Da Europa

«(..) Merkel fez algumas coisas bem, foi uma força moderadora de extremos, e na Alemanha foi uma força contra a subida da extrema-direita, mas fez demasiadas coisas mal. À sua reputação democrática faltou sempre a decisão, o vigor, a determinação. E uma ideia de Europa que transcendesse o interesse alemão. Compare-se o estilo de Merkel com o de Thatcher e percebe-se a diferença. Ideologicamente, Merkel é mais simpática, politicamente, é titubeante. O declínio de Merkel coincide com o declínio da União Europeia, onde elegeu a protegida Ursula von der Leyen.

A crise das vacinas e o caos sanitário e económico em que a Europa está mergulhada são da responsabilidade destas duas e de Macron. Merkel está de saída, num ocaso triste, e Macron pode ser afastado por Marine Le Pen em 22. Então, sim, a Europa terá um sério problema. Macron começou bem, mas a palhaçada napoleónica do recebimento de Trump em Paris, com o ridículo jantar na Torre Eiffel, ecoou a humilhação da cimeira W20. Uma Europa tíbia, gasta, envelhecida, desesperada pelos dólares americanos, inconsciente do próprio poder, enleada em burocracia e privilégios para uma classe política sem imaginação e corrupta, moral e economicamente corrupta. De Sócrates a Berlusconi e Sarkozy, tudo acaba no banco dos réus. Para os americanos, a Europa deixou de ser importante, o futuro está no eixo do Pacífico, e no contrapoder à China, o que deixa de lado a Europa e os secretíssimos pactos comerciais com chineses, que vão adquirindo em saldo (…)»


Excerto da crónica “Uma Europa infetada pelo medo”, de Clara Ferreira Alves, Expresso

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