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Da falsa quimera

Não se pode dizer que a União Europeia não tenha feito um esforço. O Certificado Digital Covid é um bom plano e, por breves momentos, até nos deixou sonhar com férias no estrangeiro (quase) à moda antiga. Apanhar o avião para Paris só com um cartão de cidadão? Ir a Barcelona como quem vai à terra apanhar limões? Circular em Berlim com a segurança de quem não está a esbarrar em nenhuma exigência de quarentena? Falsas quimeras, já cantava a Ágata, sem desconfiar do que aí vinha.


Conseguimos compreender que a pandemia não nos vai deixar tão cedo andar por aí livremente, como quem nunca ouviu falar do ‘novo’ coronavírus (sim, ainda se escreve o ‘novo’), mas quando 27 estados se sentam à mesa e decidem que haverá um documento que permitirá bar aberto no espaço comunitário, seria suposto acreditarmos que seria assim. Pois não é. A Alemanha, com o sprint que lhe faltou no euro para chegar aos quartos, não vai de modas e vai de fechar a porta aos portugueses ainda antes do certificado entrar em vigor e juntando-lhe um senhor raspanete. Só pode ser mau perder. E já agora, depois dos dois golos que lhe oferecemos, muita ingratidão.


Marta Romão, diretora-geral BDC - Empower to Lead

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