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Da geolocalização

Com o confinamento de milhões de portugueses em casa, as ruas ficaram entregues não só aos bichos, mas também aos drones e carros-patrulha da PSP com sistema de alta voz, iniciativas, enfim, de eficácia e profilaxia discutíveis, mas apesar de tudo inofensivas. Já a ideia da geolocalização obrigatória de infectados merece outra análise. Há países, sobretudo os asiáticos, que parecem conviver bem com a ideia de desatar a descarregar apps no telemóvel para permitir que as autoridades vigiem os passos dos seus cidadãos. Este “contact tracing” soa a trendy e já se julga o mais sofisticado sistema de rastreio e vigilância.

A questão é que este Pokémon Go em versão pandemia traz com ele algumas particularidades: assim, à cabeça, aparecem logo os metadados – informação sobre onde e com quem estão as pessoas – a aterrar direitinho nas mãos das empresas de telecomunicações. E por mais que estas nos digam que há muitas formas de garantir que estes metadados não circulem por aí, não acredito em nenhuma. Informação rima com poder, poder pode rimar com tentação, mas tentação, de todo, que não rima com privacidade.


Marta Romão, diretora-geral BDC - Empower to Lead

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