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Da inutilidade

Nove meses. Nove longos meses após o bárbaro homicídio de um cidadão ucraniano no aeroporto de Lisboa, a senhora diretora do SEF – onde trabalham os três inspetores que terão massacrado o emigrante até à morte – achou que devia sair ‘no âmbito de um processo de reestruturação’, que é sempre uma justificação onde cabem todos os injustificáveis. O ministro que a tutela (tutelava) e que, já agora, nunca contactou a família da vítima, acatou o pedido da senhora diretora e a vida seguirá o seu rumo com uma nova direção deste órgão de polícia criminal que tem, na sua missão, “(…) proceder à instrução dos processos de pedido de asilo, na salvaguarda da segurança interna e dos direitos e liberdades individuais no contexto global da realidade migratória”, entre outras incumbências igualmente civilizadas.

Tudo isto seria só muito mau, se não tivesse existido uma vítima mortal. Um cidadão que cometeu o erro de escolher Portugal para tentar melhorar as suas condições de vida, à semelhança do que nós, portugueses, nunca deixámos de fazer mesmo em tempo de vacas gordas. Para Ihor Homenyuk, a decisão que tomou custou-lhe a vida. A senhora diretora tomou a decisão de nada fazer em relação ao sucedido e quase não lhe ia custado o cargo. Já o SEF decidiu colocar botões de pânico nas suas instalações do aeroporto de Lisboa, à custa da pressão mediática que não deixou cair o tema, mas sem conseguir perceber a inutilidade da ideia ou sequer saber responder à pergunta sobre quem protege quem de exatamente o quê.


Marta Romão, diretora-geral BDC - Empower to Lead

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