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Da inveja

Dos festejos dos sportinguistas também se retiram conclusões, que não só as lições que a Câmara de Lisboa está agora a estudar afincadamente para a receção da equipa na Praça do Município. Uma delas é até recorrente e muito nossa. Que é a de cobiçar e querer, em simultâneo, matar a galinha do vizinho. «Isto é uma autêntica vergonha: milhares de pessoas nas ruas a festejar a vitória do Sporting e aqui em Fátima não deixam entrar mais ninguém». Trocado pelos miúdos da galinha, é uma espécie de ‘os lagartos podem fazer porcaria, mas os devotos não. Tá mal. Ou há moralidade ou comem todos’.

Ao povo, sempre que lhe falta razão, sobra a inveja. A equação é esta: Sporting – zero, Fátima – um (golo de D. António Marto). Acho muito bem que o 7501º peregrino tenha sido barrado à porta do santuário. Devia ficar orgulhoso e não invejoso. Já para o sportinguista, só vejo uma punição para tamanha ousadia sanitária: fazer o caminho a pé para Fátima no próximo ano. Provavelmente, já o ia fazer na mesma para agradecer o presente que se atrasou 19 anos.


Marta Romão, diretora-geral BDC - Empower to Lead

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