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Da Liberdade

Na manchete do jornal Expresso desta semana lê-se que ‘só 10% acreditam viver em plena democracia’. A palavra-chave para os consultados poderá ter sido ‘plena’, e não ‘democracia’. Porque, lemos no dito semanário, ‘apenas 4% consideram que Portugal nem é um regime democrático’. A plenitude da democracia é um algo abstrato. Um dos ângulos de análise até nos deixa pior a nós, os governados, do que aos governantes, como se subentende da leitura do texto sobre a sondagem: a democracia é plena quando metade dos eleitores decide abster-se? Simplesmente acham que não vale a pena irem votar, mesmo tendo a opção de votarem em branco, e com isso deixarem um sinal aos candidatos 'não nos revemos em qualquer um de vós, mas fazemos questão de vir aqui demonstrá-lo, porque votar é uma imposição democrática’.

O texto deixa-nos, contudo, uma ideia forte: ‘quem melhor avalia a democracia portuguesa está entre os que viveram ou têm memória do antes e do depois do 25 de abril de 74’. Quem viveu o 24 de abril de 1974, sabe-o: a Liberdade que temos foi arrancada a ferros e perdurará o tempo que permitir a sua intensidade e o alimento que estaremos dispostos a dar-lhe diariamente. Às portas de um fim-de-semana chuvoso, que não seja o S. Pedro a impedir os festejos de uma data que é de todos. Até dos que dela desconfiam ou atraiçoam.


Marta Romão, diretora-geral BDC - Empower to Lead

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