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Da NATO

Em junho de 2017, no arranque das negociações formais para a saída do Reino Unido da União Europeia, o ministro inglês David Davis, que detinha a tutela sobre os assuntos relacionados com o Brexit, afirmou, o pobre otimista e ainda longe de imaginar o molho de brócolos em que este processo se tornou, que o divórcio tinha tudo para ser amigável. E selou o momento com uma daquelas frases de circunstância que só existem para preencher o vazio e, eventualmente, insuflar de orgulho qualquer speechwriter estagiário: «muito mais é o que nos une que aquilo que nos separa».

Boris Johnson terá recorrido agora ao mesmo estagiário para se sair com a mesmíssima frase à entrada da recente cimeira da NATO, em Londres. Infelizmente, do início da cimeira à assinatura da declaração final, muito pouco uniu os 29 países presentes. Além das palavreadas promessas - maior equidade de esforço financeiro, condenação do terrorismo, alerta máximo para a China e Rússia, e outras que tais que tão bem ficam escritas para a posteridade – o maior ponto de união aconteceu no Palácio de Buckingham, quando quatro grandes líderes mundiais foram apanhados, à galhofa, a zombar de Trump (que amuado, tratou de correr para o Air Force One e zarpar dali). A NATO em 2019 é, portanto, isto. Que volte o estagiário, que esse, pelo menos, esforça-se.


Marta Romão, diretora-geral BDC - Empower to Lead

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