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Das contas esquisitas

Há algo de podre no reino de Lisboa, quando falamos da Web Summit. O incontornável Paddy Cosgrave, o rapaz das camisolas de lã virgem que anda hibernado 11 meses por ano mas reaparece sempre em novembro para nos oferecer o melhor evento tecnológico de sempre na cidade que ele diz ter escolhido para viver mas onde na verdade ninguém o vê a circular, garante que a Web Summit em modo covid será 100% virtual mas vai custar na mesma 11 milhões de euros aos nossos cofres, ou seja, três milhões da Câmara de Lisboa e oito milhões do Governo.

Cheiinho de boas intenções - as mesmas com que recebe de braços abertos, mas bolsos vazios as muitas centenas de voluntários que coloca a trabalhar em todas as edições para poderem “vivenciar toda a experiência por dentro” – Paddy diz que lhe foi enviada uma generosa proposta para fazer a Web Summit num país asiático (e noutros também, como sempre, o homem parece ser mais assediado do que as modelos da Victoria’s Secret todas juntas) mas que, depois de conversar com os seus advogados e contabilistas, decidiu que o casamento de dez anos com Lisboa está para durar. Já o outro elemento do casal, Fernando Medina, feliz da vida com a promessa de amor (quase) eterno e com a pressa de calar as más-línguas, veio dizer que os encargos da autarquia com a Web Summit vão sofrer uma redução significativa, sem detalhar cá montantes. Talvez umas sessões de terapia conjugal ajudassem a perceber qual dos dois pombinhos estará a mentir.


Marta Romão, diretora-geral BDC - Empower to Lead

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