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Das vacinas

Estava-se mesmo a ver que o espírito colaborativo do início da relação tinha os dias contados. Mas não deixou de ser curioso ver a habitualmente polida Comissão Europeia perder a estribeiras e pela voz da comissária da Saúde sair-se com um “rejeitamos a lógica de que quem chega primeiro é que é servido, pode funcionar no talho do bairro, mas não nos contratos”. Infelizmente, o diabo vive nos detalhes e um dos detalhes do acordo feito com Bruxelas previa apenas que a AztraZeneca "fizesse o melhor esforço" para entrega de 300 milhões de doses da vacina contra a covid-19 produzida em colaboração com a universidade de Oxford.

Não sendo a AztraZeneca a Associação de Apoio à Vítima, nem a Comissão Europeia um daqueles velhinhos que não resiste a comprar o colchão que o vai livrar das hérnias sem ler as letras miudinhas do contrato, resta-nos cair nas malhas da conspiração e suspeitar que o Reino Unido, já liberto das maçadoras obrigações familiares para com a Europa, se chegou com tudo à frente para afiambrar as cobiçadas doses. O senhor do talho do bairro teria feito melhor.


Marta Romão, diretora-geral BDC - Empower to Lead

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