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Do aeroporto

Só para desenjoar do fartar vilanagem do Luanda Leaks, uma aproximação à pista do aeroporto do Montijo. Saberiam Marcello Caetano e Américo Thomaz o monstro que estavam a dar à luz quando, em 1969, aprovaram a criação do Gabinete do Novo Aeroporto de Lisboa para solucionar o ‘problema nacional’ que representava o aumento do tráfego aéreo na cidade? Já agora o ‘problema’ à época previa um tráfego de 4 milhões de passageiros em 1975, contra os 31 milhões que por lá aterraram e descolaram em 2019. Foram mais de 50 anos de discussão e estudos e pareceres e opiniões e 17 possíveis localizações para chegar a isto: ‘problema’ 1, aeroporto 0.

A Agência Portuguesa do Ambiente deu, por estes dias, luz verde à obra no Montijo e alguns minutos depois (literalmente minutos, mas ainda assim suficientes para ler a Declaração de Impacte Ambiental de 132 páginas + 47 anexos) chegaram as respetivas ameaças de tribunal e afins por parte das associações ambientalistas. Em bom rigor, todos temos razão. Claro que o novo aeroporto irá trazer consequências para as pessoas, para a paisagem, para as aves, haverá mais ruído, mais trânsito, enfim, tudo ficará diferente. Mas a menos que alguém descubra como construir um aeroporto onde se aterre de pantufas, não se desvie uma estrada ou se interfira nas rotas da avifauna, a discussão vai continuar. É de comprar pipocas, stock para 50 anos.


Marta Romão, diretora-geral BDC - Empower to Lead

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