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Do argumento

A história já leva alguns dias, conta-se em duas penadas, mas vale a pena registar o argumento. A Câmara Municipal de Matosinhos encomendou uma obra, no caso, uma escultura, a Pedro Cabrita Reis, que a criou por um valor aproximado de 300 mil euros. “A Linha do Mar”, inaugurada em Leça da Palmeira, não agradou a todos os munícipes, como se tal fosse possível, e o resto já se sabe: acabou tudo num ato de vandalismo, numa queixa-crime e num debate inflamado sobre as prioridades da autarquia, despertando o presidente de câmara que todos temos em nós e que coabita alegremente com o taxista e o selecionador nacional.

Oscar Wilde dizia que “só os intelectualmente perdidos aceitam argumentar”, mas os escritores e dramaturgos, sobretudo os mortos, tendem a não ser ouvidos por aí além, sobretudo por políticos como o vereador da cultura da Câmara de Matosinhos que avançou com o pior argumento que tinha à mão: a encomenda da obra aconteceu devido à ‘excelente situação financeira’ da autarquia. Ou seja, isto em trocados, vai dar à tese de que só as câmaras muito abonadas é que devem investir em cultura e património, mas se muito esmiuçado pode bem descambar em algo pior, que envergonharia qualquer artista rupestre.


Marta Romão, diretora-geral BDC - Empower to Lead

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