Buscar

Do Brasil

«Foi no tempo da peste que aquele homem agreste, os lábios oprimidos, de tão juntos, mostrou gostar de defuntos e se pôs a predicar: aqui ninguém morreu. Essa gripezinha não vai me pegar, com minha história gloriosa não tem nada que possa me deter. Vamos escolher seguir em frente. A economia não pode parar.

Foi no tempo da peste que aquele homem agreste deu o beijo da morte: e tombou Marielle, e tombou Bebiano, e tombou Adriano, e então ele saiu para abraçar o povo. De novo cuspiu, beijou, vociferou. E cada perdigoto fez defunto tombar. Aqui não aconteceu nada. Cada um para sua casa. Aqui ninguém morreu. E se morreu foi acidente, ou foi o acaso. O único caso suspeito é o meu. Quem mandou me matar e falhou? E tinham mesmo que morrer trinta mil. Sem uma guerra civil, o que será de nós? (…)»


[excerto do poema ‘O sétimo selo’, de Wilson Alves-Bezerra, que deve ser lido na íntegra, algures no planeta Google]

2018 Copyright © BDC                             Criado por    MM Design

logo site MM negativo.png
  • LinkedIn
  • Facebook
  • Twitter - Grey Circle