Buscar

Do falar demais

Os espaços de opinião pública nas televisões são um milagre da longevidade. Resistem a tudo e não só ao tempo: às más audiências, aos temas, aos participantes, aos jornalistas. Este medir de forças com as redes sociais é um exercício desequilibrado: desde logo porque os minutos em televisão são caros e escassos, ao contrário do que acontece no planeta do online, sem fronteiras espaciais ou temporais, mas a verdade é que, ano após ano, continuamos a ouvir a reformada D. Odete, ao telefone a partir de Vila Pouca de Aguiar, explanar a sua teoria sobre o desaparecimento do pequeno Noah.


O que poderá ela acrescentar ao tema? Terá as suas próprias fontes? Testemunhou o desaparecimento? É perita em fugas infantis? E, a mim, o que me interessa saber que ela acredita que há marosca nesta história? A ideia de que toda a gente tem direito a fazer-se ouvir é uma boa ideia da democracia, mas pode tornar-se penoso para quem ouve e um exercício de sobranceria para quem fala sobre o que não viu, o que não sabe, o que não conhece. D. Odete: partilhe a sua teoria com as vizinhas e os amigos chegados, direções de informação das televisões: poupem-nos de ouvir 10 milhões de especialistas diariamente.



Marta Romão, diretora-geral BDC - Empower to Lead

banner.jpeg