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Do fisco

Quatro parágrafos, três bullets points e o título ‘Reliquidação de declarações de IRS relativas a 2015’. É ler no portal mais odiado do país, esse mesmo, o da Autoridade Tributária e Aduaneira, ou em todos os jornais. Tudo mastigado, só me ocorre uma palavra, aliás quatro: é preciso ter lata. Dez mil portugueses foram apanhados nas malhas de um erro do fisco cometido algures em 2014, 2015, que agora dá os seus frutos: 3,5 milhões de euros vão aterrar na caixa-forte do brincalhão Centeno, vindos diretamente do bolso de uns milhares de portugueses que confiaram no Estado da boa fé mas da má matemática.

Claro que o movimento contrário nunca se verificaria. Pagaste a mais, cidadão? Tivesses sido mais atento, paciência, pensa nas escolas, nos hospitais, nos velhinhos. Porque o que é teu é nosso, mas o que é nosso não é teu, é dos outros. Corre para a caixa de correio, descobrir se és o feliz contemplado com este presente de Natal antecipado. Se sim, ganhas uma carta conforto, com tudo muito bem explicado e com a possibilidade de beneficiar (verbo adequadíssimo) do pagamento a prestações. Errar é humano. É uma fraqueza que nos pertence só a nós, pessoas. Quando acontece em organismos públicos, é outra coisa. Que me abstenho de escrever aqui, poderia não ser bonito.


Marta Romão, diretora-geral BDC - Empower to Lead

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