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Do interminável

A recusa da Hungria e da Polónia em aprovar o pacote da resposta à crise pandémica tão orgulhosamente anunciado pela Comissão Europeia em julho, qual bazuca de salvação do mundo, diz muito mais sobre ela própria do que sobre as duas teimosas nações. Estas limitam-se a usar o que têm à mão: a possibilidade de bloquear uma decisão até que lhes façam a vontade, naquele tipo de chantagem que todos aprendemos a fazer mais depressa do que a gatinhar.

Já a União Europeia volta a patinar num terreno que nunca tratou de aplanar em tempo de vacas gordas: o de uma verdadeira integração política, social e económica, assente em valores como a solidariedade e a democracia. Depois, queixa-se, claro. Um a um, aí vêm todos os grandes líderes europeus que nos calharam em sorte rasgar as vestes e assegurar que não irão ceder a chantagens e tal e tal e que (o meu argumento favorito!) não haverá plano B. A sério? E desde quando é que a Europa acerta à primeira?

Razão não falta ao vice-diretor do Centro Jacques Delors em Berlim quando diz que “claro que é um sinal preocupante que não tenha sido encontrado um acordo mais cedo, e claro que as coisas ainda podem dar para o torto. Mas os procedimentos na UE raramente são lineares e o drama faz sempre parte do processo”. Pois faz. É esperar que a Europa drama queen adormeça e acorde numa cabine telefónica em versão Clark Kent, pronto para nos salvar das garras da covid-19 até que apareça a 20 ou outra coisa qualquer e comece tudo outra vez, num interminável and they lived happily ever after que nunca é.


Marta Romão, diretora-geral BDC - Empower to Lead

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