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Do otimismo

Nesta passagem de ano, temos a tarefa facilitada. Não vai ser preciso desejar um novo ano melhor do que este que está a dar as últimas, porque é pouco provável que consiga ser pior. Pode ser até uma excelente oportunidade para deixar cair de vez a tradição horrorosa de engolir 12 passas, costume inventado pelos espanhóis que, entretanto, já o abandonaram, preferindo as uvas frescas (sugiro Herdade Vale da Rosa, sem grainha).

Ainda assim, convém ter em mente meia dúzia de coisas que vão importar em 2021 tais como fazer respeitar o plano de vacinação até à última picadela, evitar uma crise política com mais diálogo e cedências e menos amuos, fazer um brilharete com a presidência portuguesa da União Europeia, gerir os dinheiros que nos irão chegar de Bruxelas com o zelo de um administrador de condomínio, não manter o dossier da TAP como uma novela sul americana de 5ª categoria com custos de produção elevadíssimos e pagos por nós, cuidar que o Presidente da República recém-eleito faça o que tem de fazer e não mais e uns meses depois assegurar que os novos autarcas sigam à risca o que irão prometer nas suas campanhas, evitar com todas as forças que ainda nos restam no rescaldo da pandemia maldita a subida do desemprego, a falência de empresas, a precariedade laboral, as deficiências do SNS, das escolas, dos tribunais, das instituições de apoio à terceira idade, enfim, já não são meia dúzia de coisas, afinal são mais, mas temos um ano novo inteirinho à nossa frente, quase quase covid free, que convém mesmo não desperdiçar. Venha ele, 2021, o desejado.


Marta Romão, diretora-geral BDC - Empower to Lead





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