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Do pão

Regras são regras, claro. E em janeiro último, a Comissão Europeia foi claríssima quando decidiu que as empresas de vacinas teriam de informar as autoridades aduaneiras sempre que pretendiam enviar remessas para países terceiros e, que numa situação de falha de abastecimento interno, poderia mesmo proibir a exportação. Pois acabou de acontecer agora com a Itália a impedir a expedição de um carregamento de 250 mil doses da vacina da AstraZeneca para a Austrália. Ursula von der Leyen, aplaudiu de pé e nós, aqui no quentinho e no conforto da Europa a 27, também.

A questão do ponto de vista familiar está bem resolvida: primeiro garanto o sustento da minha casa, depois logo vejo o que sobra para distribuir por casa alheia. Também pode estar correta no plano legal: parece que a multinacional farmacêutica não terá cumprido os compromissos contratuais de entrega de doses para a União Europeia, daí o castigo imposto na fronteira. Agora que levanta questões morais, pelo menos para mim, levanta. Já se viu que precisamos todos da rainha das vacinas como de pão para a boca, mas porque é que a boca dos europeus é mais importante do que a dos australianos? Cheira-me que afinal não vai ficar tudo bem.


Marta Romão, diretora-geral BDC - Empower to Lead

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