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Do plano

Cá vamos nós outra vez. Muito a medo, em pezinhos de lã até ao postigo, em saídas precárias pelas bordas do concelho e de olho fixo no tal do R(t) que nos comanda a vida. O primeiro-ministro parece confiante, amparado pelos ‘especialistas’, que é como quem diz se a coisa der para o torto a culpa não é dele. Primeiro, foi dos portugueses, agora será da ciência. Já o presidente, que já viu este filme, prefere sair da sala antes dos créditos finais, não vá sobrar para ele uma sequela do Natal 2020, e zarpa para o Vaticano, que o Papa por estes dias sempre é companhia mais recomendável. Sobre o plano, o mais desejado plano que nos foi servido à hora de jantar de quinta-feira, nem uma palavra amiga.

Já os restantes nove milhões, novecentos e noventa e nove mil portugueses ainda o power point estava nos primeiros slides, já tinham ampla e estudada teoria sobre o assunto. É abrir hoje um jornal online e vê-los a saltitar: não há personalidade, associação, coletividade, organismo ou tertúlia que resista aos apelos da comunicação social para uma ‘reação’, quase sempre indignada, a roçar a fúria e o despeito. O Governo, paternalmente compreensivo, ouvirá as corporações mais robustas, cuja fatura receberão mais tarde pelo correio. A minha deve estar a caminho. Já tenho data para regressar ao cinema, só me falta conseguir lugar numa esplanada.


Marta Romão, diretora-geral BDC - Empower to Lead

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