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Do podre

Se há coisa que anima jornalistas, taxistas, a Mariana Mortágua e o Ricardo Araújo Pereira é uma boa comissão de inquérito. Se for ao BES ou ao Novo Banco, então é a loucura. Até a AR TV bate a Cristina Ferreira nos seus melhores dias (que já foram mais, enfim, matéria para outra sexta-feira ou talvez não). E quem não tem a sua própria teoria sobre estas instituições de referência da banca nacional é um ovo podre. Mas giro, mesmo giro, é ouvir os devedores do Novo Banco, que os credores do BES são uns maçadores e acreditam no Pai Natal.

Há dias, passou uma criatura na AR, cujo depoimento me abstenho de comentar por respeito à doença de Alzheimer (espero que o motorista não se tenha atrasado a ir buscá-lo à porta do parlamento, que o pobre não se deve recordar sequer da rua onde vive e pode ainda andar por aí aos caídos). Esta semana, caiu-nos no colo um estilo mais afoito. ‘Não me comparem a essa elite podre que tem vindo cá’, rosnou o homem que deve 300 e qualquer coisa milhões de euros e que considera um almoço com o Ricardo Salgado em 2011 ‘o momento alto’ da sua carreira. Aposto que o baixo deve ter sido vender os jatos privados e o barco para abater a dívida já que ‘quem não nasceu com apelido Espírito Santo tem de ir à luta’. Sábias, as palavras do senhor que ainda garante não ter cá ligações a qualquer offshore. Nem ele, ‘nem a família, nem a empregada, nem o canário’. A culpa é sempre do mordomo, aprendam.


Marta Romão, diretora-geral BDC - Empower to Lead

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