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Do quarto escuro

Tenho para mim que, quem já fez ou está a fazer um período de isolamento de 14 dias por causa do que a imprensa continua a chamar de ‘novo coronavírus’ como se ele tivesse acabado de aterrar no planeta, não deve ter gostado por aí além da experiência de reclusão. Deduzo que para uma criança ou adolescente seja ainda pior. Tenho quase a certeza de que para uma criança ou adolescente acabada de ser retirada à sua família por ser agredida todos os dias ou por ser vítima de abuso sexual é uma violência quase tão grande como aquela de que acabou de se livrar.

Portanto, onde reside a dúvida de que a obrigação de fechar uma criança ou adolescente num quarto de um centro de acolhimento sozinho durante 14 dias é desumano e contraproducente? Diz quem sabe – leia-se quem trabalha nestas instituições e conhece bem a sua realidade por dentro e fora – que esta imposição é ‘um quarto escuro e que parece que as suas vítimas cometeram um crime’. Diz quem ouve e lê estas coisas – tipo eu – que um quarto escuro durante alguns meses seria o melhor que podia acontecer a tanta gente que por aí anda obcecada pelo coronavírus como se fosse a pior que nos podia acontecer. Infelizmente, não é. Há pessoas que serão sempre piores do que a pior das pandemias. E para essas nunca haverá vacina.


Marta Romão, diretora-geral BDC - Empower to Lead





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