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Do Roman Protasevich

Em maio, caiu o Carmo e a Trindade com o desvio do avião da Ryanair em que viajava o jornalista bielorrusso, Roman Protasevich, depois de um falso aviso de bomba a bordo. A ‘comunidade internacional’, seja lá o que isso for ou quem inclui, veio a correr condenar o acto, do qual resultou a prisão e mais que provável tortura do opositor ao regime do mais antigo ditador da Europa, o presidente Alexander Lukashenko, que by the way, a União Europeia não reconhece como tal porque considera que as últimas eleições presidenciais foram uma fraude.

Do horror mediático da prisão de Protasevich – que teve como qualquer horror dos nossos dias a duração de algumas horas, isto se não ocorrer na semana em que é detido o presidente de um clube de futebol, porque aí não há alinhamento que o segure – ao silêncio quase total sobre o assunto foi um tirinho. E silêncio é música para os ouvidos de um ditador. Claro que pelo meio houve sanções da União Europeia e Protasevich deixou a prisão para ser colocado noutra, no caso um apartamento sob controlo total das autoridades, mas a vida segue escorreita na Bielorrússia. Lukashenko continua a prender jornalistas, a esmagar a oposição e a abrir as suas fronteiras com a União Europeia ao tráfico humano e ao contrabando de estupefacientes. É aguardar a condenação da ‘comunidade internacional’ e siga para bingo.


Marta Romão, diretora-geral BDC - Empower to Lead


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