Das andorinhas

Enfrentamos uma ameaça pandémica, e um discurso que tende a colocar Economia e Saúde em pratos opostos da balança e encarar as medidas como um suposto equilíbrio entre estas duas dimensões.

Nada mais errado. A Saúde depende naturalmente da Economia, tal como a Economia depende da Saúde. Sabemos que a pobreza é o maior determinante de saúde e, portanto, a crise económica e social que já se está a abater sobre as populações terá um impacto inexorável na saúde dos cidadãos. Por outro lado, a Economia não pode vingar sem um tecido laboral saudável e produtivo, nem sem a confiança dos cidadãos.

É preciso uma visão de médio/longo prazo que reforce a capacidade de cada país responder a uma ameaça à Saúde Pública ou uma catástrofe natural. Diz-se que está no horizonte um forte sismo, com repercussões ao nível do que sucedeu em 1755. Temos de assegurar a resiliência necessária para enfrentar esta (e as futuras) crise(s).

É preciso encarar a Saúde como um investimento, e a percepção de que uma abordagem preventiva permitirá evitar danos maiores tem de sair dos meios de quem planeia a Saúde, para entrar no discurso de quem planeia a Economia. Evitemos, assim, falar em Cisnes Negros, que têm de passar a ser Andorinhas, que chegam periodicamente.

06.11.2020

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